sexta-feira, 10 de maio de 2013

Feliz Dia das Mães!

Mãe… São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o Céu tem três letras…
E nelas cabe o infinito.
Para louvar nossa mãe,
Todo o bem que se disse
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer…
Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do Céu
E apenas menor que Deus!
           Autor: Mário Quintana

terça-feira, 3 de julho de 2012

Ziraldo tem toda razão

Por Alcir Rodrigues

leitora

“Ler é melhor que estudar”, já disse Ziraldo.

Aproveitando o mote dessa famosa frase, de brasileiro tão ilustre, autor do clássico infantil O menino maluquinho, pode-se afirmar que todos que adquirem o gostoso hábito da leitura, que leem um pouco todo dia, com satisfação, jamais terão de se matar de tanto estudar.

Ziraldo                                        O menino maluquinho

Pode até parecer assustador, mas leitura, para alguns, é quase sinônimo de tortura, talvez pelo fato de que rime com essa hedionda palavra. Para alguns, tal ‘tortura’ é um fato inconteste... Mas leitura é, também, conhecimento de mundo, não só de palavras (como muito bem já o disse Paulo Freire), apesar de estas possibilitarem, sim, uma conformação mental de mundo para nós (o que o semioticista russo Iuri Lotman denomina de ‘modelização primária do mundo’). Assim, as palavras lidas remetem a mente para a reflexão sobre o mundo, sobre as pessoas e sobre o que elas pensam. Então, leitura provoca renovação, inovação, faz emergir o novo pela crítica construtiva e dialética do já-dito. Do já-pensado, nasce o nunca-até-então-pensado, portanto.

Leitura 2

Ler é viver. Ler é pensar. Mas a leitura não deve ser entendida, aqui, apenas como processo de decodificação da palavra escrita. Nem tão-somente acrescente-se a esse processo a decodificação de palavras oralmente veiculadas. Acima disso, acrescente-se o entendimento de tudo a partir de um processo de interpretação da realidade. O que for possível de se decodificar, é possível de se interpretar. De se ler. No entanto, antes desse estágio, o ser humano primeiramente capta sensações de origem externa (pela visão, audição, olfato, tato e paladar) e interna (como fome, sede, dores em geral, mal-estrar, etc.). Essas sensações “viajam” pelo sistema nervoso sob forma de impulsos elétricos, de sinais decodificáveis que chegam ao ‘cérebro em funcionamento’ (à mente), que os interpreta e dá remate ao processo, reagindo, respondendo de alguma forma aos estímulos, tanto de origem interna quanto externa.

Leitura 8

Mas aí é coisa já técnica, científica ou filosófica ―talvez até metafísica― demais. Nem sei por que cargas d’água me pus a divagar por plagas tão distantes do meu reles conhecer do comum metier de leitor (Mas nunca de ledor! Perdoem-me a empáfia...) ou educador de língua e literatura maternas. Se bem que, nos paradigmas atuais, é mais que imprescindível que tentemos, todos nós mestres, meter nossa colher de educadores na região nebulosa da intangível transdisciplinaridade, surgida dos escombros da nunca alcançada interdisciplinaridade. Não alcançada, diga-se, porque nunca buscada de fato, principalmente por causa da falta de projeto das secretarias de educação, que almejam mudar sem investir capital: mesquinharia com o futuro do povo do município, estado ou país! Fosse uma campanha eleitoral, o dinheiro apareceria!...

Leitura 4

Mas... retomemos nossa trilha. Ler também é sonhar, ser imaginativo. Ter projeto de vida futura. Muito por causa disso, certa vez Paulo Freire (autor de A importância do ato de ler, entre outros livros seus) afirmou algo sobre nunca devermos deixar de sonhar sonhos possíveis. Por isso, lembramos de parafrasear aquele belo samba: “Sonhar não custa nada/Se o ‘seu’ sonho é tão real”. Com certeza! E, se leitura é capaz de rimar com tortura, certamente rimará também com belezura, ternura, doçura e, até mesmo com “travessuras e gostosuras”. É, ler rima também com prazer, sim, rima com lazer, crescer, adolescer. Ler é saber. E saber também é poder: poder ter ―conforto, saúde e felicidade―; poder ser ―ser feliz, ser livre, ser agente/sujeito da própria história. Ler para, mais tarde, inscrever (e não somente escrever) sua própria história.

Paulo Freire                          A importância do ato de ler

Ler nunca é perder ―ler é sempre vencer! Vencer ―vencer barreiras, vencer preconceitos, vencer a pobreza material e cultural. Sim, vencer ―vencer conflitos com os outros e consigo mesmo; vencer os medos e fobias, vencer os fracassos, as frustrações e decepções; vencer as distâncias geográficas e aquelas que separam o povo de uma nação em classes sociais e econômicas (em quase castas, como na Índia); ou seja, ler sempre é, e sempre será, uma forma de superação, uma arte de resistir às adversidades, principalmente em espaços de crise, palavras estas últimas inspiradas na antropóloga francesa Michèle Petit, que escreveu o livro A arte de ler ou como resistir à adversidade.

Michele Petit

No entanto, sabemos que não é só a partir de uma apologia do ato de ler que conseguiremos convencer qualquer pessoa dos benefífios de esse hábito tornar-se cotidiano; pelo contrário, quanto mais se faz isso, mais se dá do mesmo: uma espécie de remédio amargo que o convalescente não quer, por sua aparência de beberagem asquerosa. Por causa disso, pensamos que o professor de língua francesa Daniel Pennac, em seu livro Como um romance, dá uma pista da falha dos adultos e educadores, em geral. É a imposição, a obrigação da leitura como trabalho forçado para a escola e para a vida profissional (o estudo) que sabotam o prazer da descoberta, a viagem ficcional e a viagem do saber científico, filosófico e artístico. Já que a leitura dos livros inpiradores, segundo esse autor, deveria ser, como no passado, “um ato subversivo”. Para nós, uma escolha própria, uma manifestação de liberdade de ser e estar no mundo. Uma rebeldia contra as convencionalidades.

Daniel Pennac                                  Como um romance

Defendendo pontos de vista bem próximos de Pennac, o estudioso Alberto Mussa, na revista EntreLivros, de julho de 2007, na matéria “Os 30 mandamentos para começar a ser leitor, escritor e crítico”, deu alguns conselhos proveitosos, que são estes: “Nunca leia por hábito: um livro não é uma escova de dentes. Leia por vício, leia por dependência química. A literatura é a possibilidade de viver vidas múltiplas, em algumas horas. E tem até finalidades práticas: amplia a compreensão do mundo, permite a aquisição de conhecimentos objetivos, aprimora a capacidade de expressão, reduz os batimentos cardíacos, diminui a ansiedade, aumenta a libido. Mas é essencialmente lúdica, é essencialmente inútil, como devem ser as coisas que nos dão prazer”.

Alberto mussa

Como se pode muito bem constatar, estudar soa como obrigação. Ler não tem essa conotação negativa. Pelo menos, não deveria ter. Por tudo isso, Ziraldo está, sim, repleto de razão:

―Ler é melhor que estudar!

150px-Fragonard,_The_Reader                                   Leitura 3                                   Leitura                         Leitura 9

O morcego gigante de Mosqueiro: fato ou boato?

morcego gigante

Por Alcir Rodrigues

Tudo leva a crer que a captura de um morcego de dimensões mais que avantajadas, aqui na Ilha de Mosqueiro, há poucos meses, não passou de uma fraude. Em relação a isso, podemos aproveitar tal ensejo para parafrasear ―e, assim, também homenagear―algumas palavras emblemáticas atribuídas ao político e revolucionário russo Vladímir Ilicch Lênin (1818-1883), visto que se trata de mais um caso de uma mentira tantas vezes repetida que chegou ao ponto de a julgarem verdadeira. As palavras são estas: “Uma mentira repetida continuamente acaba se transformando em verdade”.

Primeiramente, tudo que existe de fato a respeito desse ‘monstro’ é uma única foto, postada em um blog, e repostada às dezenas de vezes por outros blogueiros de plantão (E, cá para nós, a foto “cheira” a montagem!), juntamente com um texto ao qual as repostagens acrescentaram alguns breves comentários. No entanto, nenhuma dessas repostagens atentou para o fato de que não há outras fotos, inclusive aquelas que poderiam ter sido tiradas a partir de outros ângulos. Também não há videos, coisa tão ao gosto dos internautas, que os postam no Youtube, no Twitter, ou no Facebook. (Cá para nós, a foto “cheira” a montagem.)

Por outro lado, o animal não se parece nem um pouco com um morcego da Indonésia, como fora divulgado. É grande demais, talvez do tamanho de um automóvel popular. Parece ter cabeça assemelhada a um bode, além de apresentar furos na membrana das asas, em cuja ampliação se verificam semelhanças com lona de barraca de camping. E, além do mais, está sendo ‘vigiado’ por soldados com fardamento camuflado que, espantosamente, ignoram o animal, que está (bem mal) amarrado com cordas. Ele não deveria estar enjaulado? E quanto à faca de Itu, que nem está cravada no galho da árvore?

Alguns blogs afirmam que a captura do animal se deu na Baía-do-Sol. Só esquecem que essa localidade da ilha de Mosqueiro não é pequena. Daí a necessidade de indicar local e hora exatos em que o fato teria ocorrido. Não se revelam também os nomes de quem comandou a operação e de qual cientista a ela estava ligado e que teria classificado o animal como morcego da indonésia. Além disso, nada foi cogitado sobre para qual instituição o estranho mamífero seria levado (Jardim Botânico, Emílio Goeldi, etc.; qual seu destino?).

Em certo blog, chegou-se ao cúmulo de se afirmar que a partir daquele momento estava explicada a origem do Chupa-Chupa em Colares, Baía-do-Sol, Mari-Mari, Itapeuapanema (popularmente: Tapiapanema) e Caruaru. Chama de falso ET. Que absurdo! E qual ET é verdadeiro?! Na verdade, a aparição de OVNIs nessa região específica do nordeste paraense está muito bem documentada. A própria aeronáutica brasileira investigou minuciosamente esse evento misterioso ocorrido no final da década de 1970; contudo, dos resultados dessa investigação pouco se sabe, pois quase nada os militares divulgaram.

Em uma remota possibilidade de esse morcego existir, ele iniciaria suas atividades em busca de alimento logo no início da noite, ali pelas 18:30h, aproximadamente, e retornaria para seu repouso próximo das 6:00h da manhã. Então, será que ninguém teria visto voando, nessas circunstâncias, uma criatura de tamanho porte agigantado? E quanto à mídia impressa, radiofônica e televisiva? Se o caso fosse fato, e não boato, não estaria sendo massivamente noticiado, não só de maneira local ou regional, mas nacional e internacional?

O professor Claudionor, no seu blog Mosqueirando, divulgou o ‘caso’ da captura do morcego gigante, mas sob a rubrica de “Mosqueiro conta seus ‘causos’”. Ou seja, trata-se de mais um “causo”, que, examinado sob a ótica da narratologia, compõe e enriquece o imaginário popular amazônida, até mesmo poeticamente. Mas, observado sob o prisma científico, ou mesmo o do jornalismo investigativo, não passa de um boato, que a custo querem transformar em fato. Portanto, uma farsa, mas que, mesmo repetida à exaustão, jamais ganhará o status de fato, pela simples razão de que o fato é capaz de sobreviver ao crivo da prova comprobatória, o que não é o caso (ou “causo”?) de que tratamos aqui.

domingo, 2 de outubro de 2011

O PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO (JÔ SOARES)


O PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO
( Jô Soares )

O material escolar mais barato
que existe na praça é o
PROFESSOR!
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia'.
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um 'caxias'.
Precisa faltar, é um 'turista'.
Conversa com os outros professores, está 'malhando' os alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não sabe se impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a 'língua' do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, deu 'mole'.

É, o professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!




O ANALFABETO POLÍTICO (Bertold Brecht)

O ANALFABETO POLÍTICO
Bertold Brecht
O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio depende das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro, que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que de sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o prior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.